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Arraial do Cabo avança no combate à cegueira em diabéticos com programa inovador de diagnóstico e tratamento oftalmológico

Por Ayra Rosa em

Arraial do Cabo está dando um passo histórico na prevenção da cegueira causada pelo diabetes. Em parceria com a Prima Qualitá Saúde e a farmacêutica Bayer — referência mundial no setor — o município implantou o programa “Puxa Fila – Prevenção da Cegueira em Diabéticos”, desenvolvido em cooperação com a Secretaria Municipal de Saúde. Esta é a primeira experiência do Estado do Rio de Janeiro com o modelo de atendimento integrado oferecido pelo projeto.

O objetivo é identificar precocemente alterações na retina que, se não tratadas, podem evoluir para perda total da visão. A estratégia alia triagem nas unidades básicas de saúde, exames digitais de retinografia e cirurgias realizadas no próprio município, garantindo atendimento rápido, humanizado e completo pelo SUS.

“Esse é um marco para Arraial do Cabo. Estamos identificando e tratando as doenças antes que evoluam para cegueira, e realizando cirurgias no próprio município com tecnologia de ponta e profissionais qualificados. É o SUS funcionando de forma resolutiva e humanizada”, afirmou o secretário municipal de Saúde de Arraial do Cabo, Jorge Diniz.

Nos últimos 90 dias, o programa alcançou números inéditos: 1.060 pacientes cadastrados, 987 exames de retinografia realizados, 45% dos exames com algum tipo de alteração, 13,2% dos casos com diagnóstico de retinopatia diabética e 196 cirurgias de catarata realizadas entre outubro e novembro no Hospital Geral de Arraial do Cabo.

De acordo com os dados do sistema Red Check, plataforma digital utilizada no programa, a média de idade dos pacientes é de 63 anos, faixa etária mais vulnerável a doenças oculares crônicas. A emissão dos laudos ocorre em até 32 horas, sem registros de atraso.

Arraial do Cabo é o primeiro município do Rio de Janeiro a utilizar o sistema Red Check, que permite captar imagens da retina diretamente nas unidades de saúde e realizar laudos remotos com especialistas. A ferramenta garante agilidade, transparência, rastreabilidade e precisão diagnóstica, tornando o programa uma referência regional.

“Eu tinha muita dificuldade para enxergar à noite e achava que era só cansaço. No exame, descobriram que eu já tinha início de retinopatia. Fui acompanhada rapidamente, e hoje estou fazendo meu tratamento com segurança, aqui mesmo na cidade. Se esse programa não existisse, talvez eu perdesse a visão sem saber. Sou extremamente grata a toda equipe”, Maria Amélia, 64 anos, moradora do Sabiá.

Como funciona a triagem

O atendimento começa com agentes comunitários de saúde, que realizam visitas domiciliares e identificam moradores diabéticos entre 45 e 85 anos. Após o cadastro, o paciente é encaminhado à unidade de saúde onde realiza: retinografia (exame digital da retina), aferição de pressão arterial, avaliação médica e de enfermagem, solicitação de hemoglobina glicada e revisão de prescrição medicamentosa.

Os casos com alterações são encaminhados ao Centro Oftalmológico Municipal, com possibilidade de cirurgia de catarata no Hospital Geral de Arraial do Cabo, onde já foram realizados 196 procedimentos em dois meses.

Cobertura nas unidades de saúde

Unidade Exames Realizados

USF Tereza Vieira Franciscone 168
USF Hermes Barcelos 150
USF Sabiá 148
USF Prainha 147
USF Monte Alto 143
USF Canaã 94
USF Boa Vista 71
USF Juarez Félix Cardoso 66

Principais diagnósticos detectados

• 13,2% — Retinopatia diabética
• 9,5% — Drusas (degeneração macular inicial)
• 7,3% — Glaucoma
• 5,8% — Escavação suspeita
• 4% — Catarata
• 54,5% — Exames normais

TEXTO: RODRIGO DA MATTA